A obter dados...
A freguesia de Odiáxere, situada no concelho de Lagos, possui uma história rica que reflete a evolução do Algarve ao longo dos séculos.
Os vestígios mais antigos de ocupação humana na região remontam à Pré-História, com achados arqueológicos que indicam a presença de comunidades agrícolas e pastoris.
Durante o período romano, a área integrou-se na rede de exploração agrícola do sul da Península Ibérica, beneficiando da proximidade de importantes vias de comunicação e da fertilidade dos solos.
Com a chegada dos muçulmanos no século VIII, Odiáxere passou a fazer parte do território de Al-Andalus. A própria origem do nome “Odiáxere” poderá derivar do árabe, refletindo essa herança cultural.
Durante este período, desenvolveram-se sistemas de irrigação e técnicas agrícolas que marcaram profundamente a paisagem e a economia local.
A reconquista cristã da região ocorreu no século XIII, durante o reinado de D. Afonso III de Portugal. Após a integração no Reino de Portugal, Odiáxere tornou-se uma comunidade rural, centrada na agricultura, com destaque para o cultivo de cereais, figo, amêndoa e, mais tarde, vinha.
Ao longo da Idade Moderna, a freguesia manteve um caráter essencialmente agrícola, embora tenha sofrido os impactos de acontecimentos marcantes, como o Terramoto de 1755, que devastou grande parte do Algarve, incluindo a região de Lagos.
No século XIX e início do século XX, Odiáxere continuou a sua atividade agrícola tradicional, mas começou gradualmente a sentir influências de modernização. A proximidade com Lagos contribuiu para algum desenvolvimento económico e social, embora a freguesia tenha mantido um ritmo de vida mais rural.
Já no século XX, especialmente a partir da segunda metade, o Algarve assistiu a um crescimento significativo do turismo. Embora Odiáxere não seja um dos principais centros turísticos, beneficiou indiretamente desse desenvolvimento, com melhorias nas infraestruturas e maior dinamização económica.
Hoje, Odiáxere preserva muito do seu património cultural e rural, mantendo tradições agrícolas e festividades locais, ao mesmo tempo que se adapta às exigências da contemporaneidade. A freguesia representa, assim, um exemplo vivo da continuidade histórica do Algarve, onde passado e presente coexistem de forma harmoniosa.
Na opinião de Estácio Veiga (séc. XIX), Odiáxere possui elementos arqueológicos datados de vários milénios, como o confirmam alguns achados.
Com base no estudo monográfico da localidade, José António de Jesus Martins afirma: “Temos conhecimento de muitos vestígios de várias antiguidades de Odiáxere, situadas na proximidade das margens da sua ribeira.
Ali apareceram muitos instrumentos líticos e diversas sepulturas. Em finais do século XIX, no lugar do Chocalho encontraram-se sepulturas quase quadrangulares constituídas por lajes em forma de caixa sem alinhamento. Encontraram-se também pedaços de ossos e uma tigela de barro grosseiro.
Numa palavra, podemos dizer que se encontraram achados neolíticos isolados. Da Idade do Bronze foram encontradas sepulturas isoladas com inumação.
Através da documentação consultada encontramos referências ao aparecimento de celeiros subterrâneos denominados “tulhas”, silos ou matmores. (...)
A partir do momento em que a localidade cresce, aparecem estruturas tipicamente rurais cujos vestígios não são passíveis de assinalar no momento presente.
No nível da estrutura central da localidade encontramos um templo de características tipicamente muçulmanas que mais tarde se converteria num templo cristão. As suas origens não são especificamente datáveis, mas a estrutura observada não nos deixa quaisquer dúvidas da sua origem árabe.
Após a reconquista cristã, o templo árabe é reconvertido ao domínio cristão, à dimensão político-social da ordem do catolicismo imperante no Portugal de Trezentos. Será este templo cristão que possuirá, no século XVI, um dos mais belos arcos jamais existentes no Algarve e em todo o país.”
Publicado por: Freguesia de Odiáxere
Última atualização: 19-04-2026